quarta-feira, 16 de abril de 2008

Um dia movimentado em San Juan

Comece, cedo e a pé, pelo centro velho; pare para observar monumentos, provar a cerveja local, curtir o pôr-do-sol...

 


SAN JUAN - San Juan, a capital de Porto Rico, surpreende qualquer turista. A parte velha da cidade, conhecida mais como Old San Juan do que como San Juan Viejo - inglês por lá é considerado mais chique que espanhol -, é um espetáculo durante o dia e à noite. O ponto alto é o Fuerte San Felipe del Morro, ou El Morro, um forte construído pelos espanhóis no século 16 e que, nos anos 80, foi considerado Patrimônio Mundial pela Unesco. A construção é, de fato, belíssima, mas todo seu entorno é incrível.


Mania de grandeza, a graça de Porto Rico

Eles adoram usar superlativos para qualificar absolutamente tudo por lá. Entre na onda

 
SAN JUAN - Em Porto Rico, o turista pode visitar a praia com areia mais branca do mundo; observar as águas mais transparentes do mundo e ouvir o ruído do rio subterrâneo mais comprido do mundo. Claro que tudo isso é exagero, mas os porto-riquenhos acreditam em cada linha. E mais: alardeiam cada maravilha do país e cada feito dos conterrâneos - só falta dizerem que os Menudos foram o melhor grupo musical de todos os tempos -, mesmo sendo quase tudo mentira. Mas, e daí? Uns minutos de prosa com qualquer porto-riquenho valem a viagem. E, mesmo sem ter a praia com areia mais branca do mundo nem as águas mais transparentes do mundo, Porto Rico é um país encantador, que une o charme do Caribe à comodidade das cidades americanas.

Aliás, por mais que esteja indo ao Caribe, o turista não se livra da tensão de voar em direção a um território americano. Antes de pegar o avião para Porto Rico, é preciso abrir bagagens, tirar sapatos e encarar o detector de metais. Ao chegar na ilha, o processo na imigração é o mesmo dos Estados Unidos. Porto Rico exige visto americano. O passageiro que levanta suspeita vai para a sala da polícia federal para ter seus documentos revistos. E esta repórter fala com conhecimento de causa, pois ficou presa na imigração por 30 minutos sob alegação de que foi sorteada. Que sorte! Loteria que é bom, nada!

Essa burocracia afugentou turistas - menos os americanos, claro. E, na ilha que orgulha-se da relação com os Estados Unidos, só se ouve inglês. A invasão turística americana colocou Porto Rico em segundo lugar entre os receptores de turistas do Caribe, atrás da Costa Rica. O plano do governo porto-riquenho é chegar ao topo da lista e, para isso, está investindo em infra-estrutura. A capital, San Juan, ganhou um centro de convenções que custou US$ 120 milhões - um orgulho! - e está bombando toda a área com um novo aeroporto e uma rede hoteleira que inclui cassinos. As praias e as cidades do norte e do sul da ilha também têm projetos para atrair turistas com atrações diversas que vão desde o ecoturismo até o turismo de luxo, com megaresorts e campos de golfe.

A atração principal de Porto Rico é o litoral, claro! As praias são belíssimas e a paisagem, variada. Há regiões mais áridas, com vegetação rasteira e amarelada; e outras em que o verde é dominante. A temperatura fica na média dos 26 graus, mas em junho e julho a umidade é grande. É bom evitar a viagem nos meses de agosto a outubro, temporada de furacões.

Além das praias, o centro velho de San Juan é visita obrigatória. Um passeio pela Calle de la Princesa, ao lado da antiga muralha da cidade, e o pôr-do-sol nos jardins do El Morro são programas para um domingo.

Viva o consumo

Porto Rico é um paraíso do consumo. Com lojas de eletrônicos como a rede Best Buy; lojas de departamento como a Sears e outlets de grifes que incluem Puma, Tommy Hilfiger e Gap, entre outras, o visitante gastador se sente em Miami e faz a festa. Esse é outro motivo de orgulho de porto-riquenhos como o guia de turismo José, que desfila praticamente um tênis novo por dia. ''Quanto você acha que custou? US$ 40? Imagina, US$ 14,99 por um New Balance!'', diz, com aquele sorriso de quem fechou um ótimo negócio. ''Imagina isso em Cuba?''


Sol, areia e glamour: eis Culebra

CULEBRA - Chique mesmo é chegar às ilhotas que cercam a ''ilha grande'', como é conhecida a maior porção de Porto Rico, de vôo charter. Um dos destinos mais procurados pelos turistas é Culebra. Há companhias aéreas, como a Air Flamenco, que têm vôos diários para lá por cerca de US$ 90 (R$ 152,19). Dá para chegar a Culebra de balsa por US$ 4 (R$ 6,77), mas aí o luxo vai embora!

Nosso guia domina o mercado dos transportes: tem microônibus, vans e barcos para facilitar a locomoção dos visitantes. E, como todo porto-riquenho, é um contador de ''causos''.

O primeiro destino de qualquer turista em Culebra é a Praia Flamenco, cuja fama é ter a areia mais branca do mundo - uma mentirinha saudável e a primeira fala exagerada do amigo Willy! Por ser a praia mais famosa de Culebra, Flamenco se tornou superpovoada - claro que não chega a ser a Praia Grande, em São Paulo, em época de réveillon - e o passeio relaxante vira disputa por sombra.

Belas e desertas

Culebra pode ser inesquecível para quem paga um pouco mais pela diversão. Por cerca de US$ 75 (R$ 126,50), guias como Willy levam o visitante para um passeio de barco por praias incríveis. Como a maioria desses barcos tem isopor, não se esqueça de levar água (e também algumas cervejas).

Tortuga é uma das mais belas praias da ilhota. O melhor: quase privada. Areia fina, branca; mar calmo e azul. Dá para pedir mais? O problema é que, às vezes, você pode encontrar um barco vizinho barulhento - ou seu próprio barco, caso o capitão seja o querido Willy - com a salsa rolando no último volume. Aliás, você com certeza vai sair de Porto Rico chacoalhando os ombros no ritmo da salsa. Os Menudos, definitivamente, são coisa do passado!

Outras praias tranqüilas na região são as de Tamarindo e Melones. A primeira está em uma reserva florestal. A faixa de areia é bem curta, o que não estimula os turistas que querem tomar sol. Já Melones tem a areia coberta de corais e é ótima para quem gosta de snorkel. Em ambas, só se vêem ''gringos'', como diz Willy, referindo-se aos americanos.

Para almoçar, o restaurante mais recomendado é o Dinghy Dock Bar (tel.: 0--1-787- 742-0085), que serve porções generosas em seus pratos. O cardápio é bem variado, com sanduíches, saladas, carnes e acompanhamentos diversos, além de petiscos. As mesas ficam à beira-mar e a paisagem é deslumbrante. O preço é bacana. Um prato básico de frango, carne ou um sanduíche pode sair por US$ 12 (R$ 20).




Muito o que fazer. Em qualquer direção

ISABELA - Porto Rico se tornou, com todo o respeito, o quintal dos Estados Unidos e uma das vantagens disso é a infra-estrutura da ilha. As estradas são conservadas e bem sinalizadas, por isso, alugar um carro é a maneira mais fácil de circular pelo país e conhecer as cidades do sul, que integram a região da Porta Caribe, e as do oeste, na área conhecida como Porta del Sol.

As duas regiões têm planos de desenvolvimento turístico próprios. A primeira privilegia os aspectos culturais, o golfe e o mergulho na calmaria do Caribe; a segunda foca as belezas naturais e os esportes aquáticos nas águas mais agitadas do Oceano Atlântico.

Mas quem vai à América Central quer o quê? Sol, mar e água fresca. Então, se você tem poucos dias para conhecer a ilha, vá para a Porta del Sol, que abrange 17 municípios e inúmeras praias incríveis - até mesmo para os brasileiros.

Rincón é a praia dos surfistas. Não sabe surfar? Como longe de casa o medo de pagar mico é inexistente, contrate um professor de surfe. Há escolas como a Walking on Water, que oferecem prancha - daquelas grandes e estáveis, na medida do possível - e um instrutor para aulas particulares ou em grupo. A brincadeira custa cerca de US$ 50 (R$ 84,35) por uma hora. Divertidíssimo, principalmente para a platéia.

A cidade de Isabela é lotada de boas praias como Montones, com piscinas naturais; Jobos, perfeita para surfe; e Punta Sardina, para quem gosta de pescaria. A dica é se hospedar em um dos paradores, o que há de mais bacana na rede hoteleira de lá.

Nesses hotéis rústicos, os quartos são amplos e alguns têm até cozinha. A diária custa, em média, US$ 110 (R$ 185,50) para duas pessoas ou US$ 260 (R$ 438,60) para seis pessoas. O Parador Villas del Mar Hau é um dos mais encantadores. Todos os chalés têm vista para o mar e acesso direto à praia. O hóspede pode tomar café da manhã à beira-mar por US$ 8 (R$ 13,50). À noite, o melhor é comprar umas cervejas, deitar nas espreguiçadeiras e curtir o luar. Romântico, não?

Para quem procura luxo, Guánica abriga resorts como o Copamarina, onde há diversos pacotes de atividades aquáticas, ecoturismo e passeios de barco. Os destinos mais procurados são a Gilligan's Island - nada a ver com o seriado dos anos 60 - e a Baía Ballena, para observação de baleias.

Outra cidade que vale a visita é Cabo Rojo, mais especificamente, a Praia El Combate. O mar, com grande concentração de sal, é uma verdadeira piscina. Perfeita para quem acredita que a água salgada tira mau-olhado ou para quem quer simplesmente relaxar. Uma caminhada leva o turista ao farol da praia e revela uma bela paisagem das falésias e do mar.

A Porta Caribe tem 15 municípios e concentra quatro grandes campos de golfe. A maior cidade da região é Ponce, a segunda mais importante de Porto Rico. Mas, por maior que seja a propaganda, a verdade é que não vale a pena perder muito tempo por lá.

Parador Villas del Mar Hau (Estrada 466, km 8,9, Montones; tel.: 00--1-787-872-2045)
Copamarina (Estrada 333, km 6,5, Caña Gorda; tel.: 00--1-787- 821-0505)



Para pagar mico e ainda voltar de bom humor

PONCE - Como se as praias não fossem o bastante, os porto-riquenhos ainda querem arrumar outras tantas atrações turísticas. Algumas são verdadeiros programas de índio. Apesar disso, é divertido cair na ladainha, ou melhor, na ingenuidade boa do povo - isso, se você for uma pessoa bem-humorada.

Em Ponce, por exemplo, não há muitos atrativos. Divertido é acompanhar o esforço de guias turísticos para ''vender'' a cidade. O melhor argumento é o carnaval, uma tradição por lá - Ponce tem fama de abrigar a festa mais animada da ilha. Já o pior argumento é o Museu Castillo Serrallés. A vista panorâmica vale a visita, mas a entrada no museu só é recomendável para aqueles que têm um profundo interesse pelo cultivo da cana-de-açúcar.

Um passeio de bonde - com guia local, por favor - é outra boa atividade para ver que uma construção até bonita, como o Parque de Bombas, pode se tornar algo espetacular. Esses guias turísticos são uma graça!

Baía fosforescente

Já em La Parguera, cidade da Porta del Sol, a principal atração é a Baía Luminescente ou Fosforecente. Quando um porto-riquenho fala que é um passeio incrível, o turista acredita, certo? Errado, mas quem não se importa em gastar US$ 7 (R$ 11,80) para curtir um passeio de barco noturno, pode embarcar nesse programa de índio. A baía reúne microorganismos bioluminescentes que fazem um showzinho de luzes no mar. O fenômeno poderia ser um espetáculo, se a baía não estivesse poluída... Mais emocionante é fazer um snorkel noturno em agências especializadas que estão espalhadas pelo vilarejo.

O programão mesmo na vila que cerca o cais de La Parguera é sentar em um dos botecos, jogar sinuca e pedir uma cerveja Medalla. Lá, esta repórter encontrou o melhor preço de toda a ilha: uma latinha por apenas US$ 1 (R$ 1,70). Pechincha!

Quando o turista ouve falar em explorar as Cavernas del Rio Camuy já prepara a mochila, a calça, o tênis de caminhada ou papetes antiderrapantes e espera uma superaventura. Pois em Porto Rico cada passeio é uma surpresa! O guia José conseguiu enganar um grupo de seis jornalistas. Por US$ 7 (R$ 11,80), o turista sobe e desce cerca de 200 degraus de uma escada construída em madeira para chegar à entrada da caverna. E pára por aí. Com sorte, você até encontra um morcego por lá. Ah, José também disse que o Rio Camuy é o maior rio subterrâneo do mundo, mas adivinha? É exagero! Ele está na terceira colocação.

Claro que José - assim como outros guias - só exagera na propaganda das belezas da ilha porque tem esse orgulho bacana do país. Para usar as palavras do próprio guia, os porto-riquenhos são ''tremendos seres humanos''!

Serviço

Passagem aérea

SP-San Juan-SP custa a partir de US$ 859 na Copa Airlines (0--11-3549-2672), com conexão

Pacotes

US$ 1.246
Seis noites em San Juan, com café e city tour. Na Friends in the World (0--11-3068-9403; www.friendsintheworld.com.br), de 1.º/5 a 17/6

US$ 1.246
Seis noites em San Juan, com café e city tour. Na Eden Tours (0--11- 3258-1133; www.edentours.com.br), de 1.º/5 a 17/6

US$ 1.264
Cinco noites em San Juan, com café e city tour. Válido de 1.º/5 a 17/6, na Inside (0--11-4508-8010; www.insideviagens.com.br)

US$ 1.264
Cinco noites em San Juan, com café e city tour. De 1.º/5 a 9/12, na Pax Voyage (0--11-3214-1490; www.paxvoyage.com.br)

US$ 1.264
Cinco noites em San Juan com a ADV Tour (0--11-2167-0633; www.advtour.com). Embarque até 17/6

US$ 1.583
Cinco noites em San Juan com a Taks Tour (0--11-6481-8800; www.takstour.com.br). Até maio

US$ 1.632
Pacote de 1.º a 8 de maio em San Juan, com city tour. Na Tereza Ferrari (0--11-3021-1699; www.terezaferrariviagens.com.br)

US$ 1.700
Seis noites em San Juan, com aluguel de carro. Nascimento: (0--11) 3156-9944; www.nascimento.com.br. Saídas até 20/6

US$ 2.384
Quatro noites em San Juan, com café e city tour. Embarque até 22/6, na Designer (0--11-2181- 2900; www.designertours.com.br)

*Mínimo por pessoa em quarto duplo, com aéreo


Aos domingos, os porto-riquenhos se reúnem nos gramados em volta do Paseo del Morro, que dá acesso ao forte, para um piquenique e para soltar pipas. Dos gramados, o visitante tem uma visão inesquecível da ilha, com seus prédios históricos, o cemitério, o Oceano Atlântico e a Baía de San Juan. Isso sem falar na alegria dos porto-riquenhos curtindo um dia no parque. Tudo bem que a frase soa piegas, mas só estando lá para não achar a festa brega.

A dica é começar o passeio pelo centro velho logo cedo e a pé. Inicie a caminhada pelo Castillo San Cristóbal, um forte do século 17. De lá, você tem uma bela visão de todo o centro. A entrada custa US$ 3 (R$ 5), mas vale comprar um ingresso de US$ 5 (R$ 8,40) que dá direito à visita ao El Morro.

De lá, vá até a Plaza de Cólon e pegue a Calle Recinto, onde há bares com mesas na calçada. A bebida da ilha é a piña colada; aproveite para refrescar-se antes de continuar a caminhada.

A Recinto termina no Paseo de La Princesa, rota obrigatória. A rua beira a antiga muralha da cidade velha. Quando ela afunila, você passeia entre a muralha e o mar até chegar à Puerta de San Juan, que guardava a cidade antiga.

Passando pela porta, uma rua íngreme, a San Juan, leva à catedral da cidade. Na praça da igreja está El Convento, edifício que hoje abriga um dos hotéis mais charmosos de San Juan e uma galeria com pâtisseries e lojinhas. Adivinha o nome da rua? Calle del Cristo. Vale a pena caminhar por lá se estiver atrás de souvenirs. Há lojas de artesanato, de aromaterapia e até de grifes como Custo Barcelona. No fim da rua está a Capela del Cristo, que atualmente fica escondida entre os bares.

Pausa para medalha

De volta ao início da Calle del Cristo, vá até a Plaza de San José, na esquina com a Calle San Sebastian, onde estão concentrados os bares do centro velho. Faça uma parada para abastecer: um petisco e uma Medalla, a cerveja porto-riquenha, são uma ótima pedida. Mas preste atenção! O preço de uma latinha de Medalla pode variar muito de bar em bar - de US$ 2 a US$ 6 (R$ 3,40 a R$ 10).

A San Sebastian dá acesso ao Paseo del Morro. Siga por ele para admirar a festa nos gramados do Fuerte San Felipe del Morro e visitar o edifício, claro! Só uma dica: certifique-se de que você sairá do forte antes do pôr-do-sol. Esse, você precisa ver sentado nos gramados no El Morro, onde a vista da cidade é única. Caso esteja acompanhado ou com um grupo, volte ao local à noite - ir sozinho pode ser perigoso -, quando o El Morro ganha uma iluminação bárbara, o céu está estrelado e a paisagem é uma das mais bonitas do mundo - só para usar a expressão que os porto-riquenhos adoram, mas, neste caso, até que eles têm razão!

Entenda o país

O Estado Livre Associado de Porto Rico é um território dos EUA, mas não anexado - diferentemente do Alasca. A ilha tem governo e legislação próprios, mas assuntos militares, econômicos e de relações exteriores são guiados pelos EUA. E, apesar de a língua espanhola ser dominante, o atendimento em hotéis e lojas é feito, quase sempre, em inglês. Os porto-riquenhos são cidadãos americanos, mas não têm direito a votar nos EUA. A moeda corrente é o dólar americano, mas alguns ainda a chamam de peso. Confuso, não?

Nenhum comentário: